Uma mesa no deserto (Junho)
30 DE JUNHO
A carne milita contra o Espírito, e o Espirito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.(Gálatas 5:17)
Consideremos com cuidado o significado destas palavras. "A carne" em nós não se opõe a nós, mas ao Espírito Santo de Deus. É Ele, e não nós, que se opõe e trata daquilo a que a carne nos induz. E com que resultado? "Para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer". Penso que freqüentemente deixamos de compreender a importância desta última frase. O que é naturalmente "do nosso querer"? Nosso querer consiste em desprezar a vontade de Deus e seguir certos ditames de nossos próprios instintos. O efeito, portanto, de nossa escolha por abandonar a cobertura de Cristo e agir por nossa própria conta é que o Espírito Santo está livre para realizar Sua obra - ou seja, livre para opor-se e tratar com a carne em nós, de modo que, na realidade, não façamos aquilo que naturalmente faríamos. Em vez de seguirmos um plano e curso que nós mesmos determinamos, encontraremos nossa alegria em Seu plano perfeito.
29 DE JUNHO
O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente.(Salmo 91:1)
O bjetivo da tentação é sempre levar-nos a fazer algo. Durante os primeiros meses da guerra entre Japão e China, perdemos inúmeros tanques e, por isso, ficamos impossibilitados de enfrentar o exército japonês até que a próxima estratégia fosse planejada e colocada em execução. Um único tiro era disparado em um tanque japonês por um franco-atirador chinés à espreita. Após um considerável intervalo de tempo, ao primeiro seguia- se um segundo tiro; depois, após outros instantes de silêncio, vinha outro tiro, até que o soldado que dirigia o tanque, ansioso por localizar o lugar de onde provinham os tiros, levantava a cabeça para olhar ao redor. O próximo tiro, cuidadosamente calculado, era certeiro. Enquanto permaneceu escondido, ele estava completamente a salvo. Toda estratégia fora desenvolvida com o objetivo de fazê-lo ficar desprotegido. Da mesma forma, as tentações de Satanás destinam-se a fazer com que nos exponhamos. Ele sabe muito bem que no momento em que abandonamos nosso Esconderijo, no momento em que nos afastamos do abrigo de Cristo e agimos dependendo de nós mesmos, ele alcançou uma vitória.
28 DE JUNHO
Tendo sido sepultados, juntamente com Ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus.(Col 2.12)
Infelizmente, alguns foram ensinados a con- siderar o sepultamento como um meio para a morte; eles tentam morrer sepultando-se! Permita-me dizer de maneira enfática que, a menos que nossos olhos sejam abertos por Deus para ver que morremos em Cristo e fomos sepulta- dos com Ele, não temos direito ao batismo. A razão pela qual descemos às águas é que reconhecemos que, aos olhos de Deus, já morremos. É disso que testificamos. A pergunta de Deus é clara e simples: "Cristo morreu, e eu incluí você em Sua morte. Ora, o que você dirá a respeito?". Qual é a minha resposta? É a seguinte: "Senhor, creio que me crucificaste. Aceito a morte e o sepultamento a que me submeteste". Ele me entregou à morte e à sepultura; por meu pedido de batismo, dou testemunho público desse fato.
27 DE JUNHO
22 DE JUNHO
Se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo. (1 Coríntios 3.12, 13 )
O que importa é o peso. Madeira, feno e palha são materiais baratos, leves e perecíveis. Ouro, prata e pedras preciosas são materiais caros, pesados e eternos. Aqui está a chave do pensamento de Paulo. Deus não olha apenas a obra realizada, mas o material usado, e prontamente dis tingue o obreiro sério do obreiro superficial. Os metais pesados, o ouro do caráter e da glória de Deus, a prata de Sua obra de redenção, são os materiais que Ele valoriza. O que pesa para Deus não é simplesmente o que pregamos, mas o que somos, o peso espiritual que temos diante de Deus; não as perguntas: "Onde está a necessidade mais evidente? Que recursos e idéias tive? Quanto posso fazer?", mas, as perguntas: "Onde Deus está se movendo? Quanto há de Cristo naquele lugar? Qual é a mente do Espírito neste sentido?". Quando nossa obra assume este caráter, podemos ter certeza de que ela prevalecerá.
21 DE JUNHO
Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas. (Atos 9.17)
Quantas vezes podemos receber ajuda daqueles que naturalmente desprezaríamos! Quando Saulo, cego, chegou a Damasco, tudo que sabia era que algum mensageiro enviado por Deus lhe diria o que fazer. A princípio, ninguém apareceu. Somente depois de três dias de trevas, alguém finalmente apareceu - e, até então, ele era apenas "um discípulo". De acordo com o uso que Lucas faz desse simples título, concluímos que, embora piedoso e honrado, Ananias era apenas um irmão comum, sem nada especial que o qualificasse como ajudador daquele que estava destinado a ser o maior apóstolo da Igreja. E, de sua parte, Ananias, que conhecia Saulo de Tarso por sua reputação e que tinha boas razões para temê-lo, deveria agora expressar na prática um milagre da graça divina em seu próprio coração. Com suas simples palavras de saudação, ele expressou seu reconhecimento de outro membro de Cristo. Assim, em um Espírito, os dois homens, agora irmãos, deram e receberam conselhos que estavam destinados por Deus a ter repercussões de abalar o mundo.
20 DE JUNHO
Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo.(Exodo 25.22)
Qual é a base de nossa comunhão com Deus? É a Sua glória. No propiciatório com a sombra de seus querubins, que são "os querubins de glória" (Hb 9.5), temos comunhão com Deus. É no lugar em que a glória de Deus se manifesta, com seu implícito juízo sobre o homem, que encontramos misericórdia - ali e somente ali. Deus, sendo Deus, não pode mostrar misericórdia onde bem entende? Não. Ele só pode mostrar misericórdia onde também se mantém Sua glória moral. Ele não separa o propiciatório dos querubins.
É o sangue derramado que possibilita a comunhão do pecador com Deus. Por sua causa, Deus pode mostrar misericórdia sem violar Sua glória; pode ter comunhão com o homem sem negar-Se a Si mesmo. Portanto, o sangue de Cristo é essencial para a comunhão, absolutamente essencial. Toda via, não é a base da comunhão. Quando tenho comunhão com Deus no propiciatório, não é no precioso sangue que fixo os olhos, mas em Sua glória. O véu se abre e, com o rosto descoberto, todos contemplamos a glória de Deus.
19 DE JUNHO
Achei-me em espírito, no dia do Senhor.
(Apocalipse 1.10)
Quem está apto para estudar o Apocalipse? Encontramos a resposta na própria história de João. Sua primeira visão não foi de aconte cimentos, mas do próprio Jesus Cristo. João, que se reclinara sobre o peito de Jesus, devia ter uma visão de seu eterno Senhor que o levasse ao pó. Só depois disto lhe poderiam ser reveladas as "coisas que ainda estavam para vir". Ninguém está qualificado para estudar o que virá se não vir primeiro o que João viu; pois não estaremos preparados para o combate até que vejamos a Jesus.
Antes desta experiência, João conheceu o amor do Senhor; agora, ele contemplou Sua majestade. Antes, ele O conhecia como o compassivo Salva dor; agora, ele O viu como o Rei glorioso. A menos que primeiro O tenhamos conhecido desta forma e caído como quem está morto aos Seus pés, o conhecimento de eventos futuros apenas estimulará nossa curiosidade e nos envaidecerá, produzindo uma possível confusão ou até incredulidade. Este livro anuncia a batalha do Senhor. Declara guerra a tudo que desafia Seu Reino. Seu objetivo, portanto, é mostrar-nos Cristo Jesus como Rei assentado no trono. Somente uma visão como essa gera guerreiros.
18 DE JUNHO
Um morreu por todos; logo, todos morreram.(2 Coríntios 5.14)
Por que o Senhor diz que devemos considerar-nos mortos? Porque estamos mortos. Suponhamos que eu tenha dois reais em meu bolso. Quanto registrarei em minha caderneta? Posso registrar um real e noventa e cinco centavos ou dois reais e cinco centavos? Não. Devo registrar em minha caderneta a quantia que de fato está em meu bolso- nem um centavo a mais nem um centavo a menos. A prestação de contas é o reconhecimento de fatos, e não de fan tasias. Deus não me pediria para registrar em minha caderneta aquilo que não fosse exato. Ele não me pediria para considerar-me morto se ainda estivesse vivo. Para este exercício mental, o termo "con siderar-se" seria completamente inadequado. Deus pede que façamos a conta e registremos: "Eu morri", e, então, que persistamos nisto. Por qué? Porque é um fato. Quando o Senhor Jesus estava na cruz, eu estava lá Nele. Portanto, considero isto como verdadeiro. Considero-me morto para o pecado, mas vivo para Deus em Cristo Jesus.
17 DE JUNHO
A vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste. (João 17.3)
Os homens rejeitaram a Cristo, não por causa do que Ele fez, mas por causa de quem Ele era, e são convidados a crer no que - e em quem - Ele é e não, em primeiro lugar, no que Ele fez. "Aquele que tem o Filho tem a vida" (1Jo 5.12). A apreciação de Sua obra deve acontecer, mas a questão principal é se temos ou não o Filho, e não, primeiramente, se entendemos todo o plano da salvação. A primeira condição da salvação não é o conhecimento, mas o encontro com Cristo.
É possível que haja pessoas que, a nosso ver, foram salvas por ouvirem textos bíblicos inadequados! Elas foram tocadas por versículos que não parecem apontar o caminho da salvação; com isso, quase chegamos a pensar que elas não poderiam ser salvas nesta base! Eu costumava desejar que aqueles que levava a Cristo fossem salvos com base em um versículo como João 3.16, mas acabei vendo que tudo que é necessário para o primeiro passo é que haja um contato pessoal com Deus. Não im porta, portanto, que texto bíblico Deus escolhe para conduzir alguém a este primeiro passo vital.
16 DE JUNHO
Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores.
(João 14.23)
O Decálogo inicia-se com Deus reivindicando uma adoração exclusiva. Esta expressão da vontade de Deus não é apenas Sua ordem, mas também Seu desejo. Mas, se os Dez Mandamentos mostram-nos aquilo que alegra Deus, as tentações no deserto revelam o que trará alegria para Satanás. Em ambos os casos, trata-se de adoração. Portanto, temos uma coisa que tanto Deus quanto Satanás desejam. Por meio dela, podemos satisfazer o céu ou o inferno. A adoração é inestimável. A obsessão de Satanás é destituir Deus desta adoração, atraindo Seu povo para algum tipo de idolatria. A idolatria diz que outro, além de Deus, é digno de adoração. É nosso privilégio opor-nos a isso, rendendo nossa adoração exclusivamente a Deus.
15 DE JUNHO
Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali no meio deles.
(Mateus 18.20)
O versículo 19 apresentou uma promessa maravilhosa de resposta às orações, porém, a promessa é condicional. É preciso que haja pelo menos dois em acordo. Por que a ora ção destes dois ou três é respondida? Porque eles estão "reunidos em meu nome". Ou seja, eles não apenas se encontram; eles estão reunidos. Ob servemos a diferença: estarem reunidos não é simplesmente irem por si mesmos; é ser movidos pelo Espírito de Deus. E eles se reúnem não para tratar de assuntos que lhes interessam, mas com um único objetivo comum em relação a Ele. É isto que os une em Seu nome. E quando isto acontece, Jesus diz: "Estou no meio deles", conduzindo, revelando, iluminando. Louvado seja Deus que está não é uma promessa; é a declaração de um fato!
14 DE JUNHO
Consagrai-vos, hoje, ao SENHOR (...) para que Ele vos conceda, hoje, bênção. (Êxodo 32.29)
Apresentar-me a Deus "como ressurreto dentre os mortos" (Rm 6.13) - usando as palavras de Paulo - implica em um reconhecimento de que, daqui em diante, sou inteiramente Dele. Essa entrega de mim mesmo é um ato definitivo, tão definitivo quanto crer em Jesus Cristo. Deve haver um dia em minha vida em que passo de minhas próprias mãos para as mãos Dele e, a partir deste dia, pertenço a Ele e não mais a mim. Isso não significa que me consagro para ser um pregador ou missionário. Meu Deus!, muitos são missionários simplesmente porque consagraram seus próprios dons naturais à Sua obra. No entanto, isto não é a verdadeira consagração. Então, a que devemos consagrar-nos? Não à "obra crista", mas à vontade de Deus para que sejamos e cumpramos aquilo que Ele ordena.
13. DE JUNHO
Estou Crucificado com Cristo. (Gálatas 2.19)
O que significa para mim estar crucificado? Penso que a resposta está bem resumida nas palavras usadas pela multidão acerca de Jesus: "Fora com Este!" (Lc 23.18). Deus nunca permite que estar crucificado com Cristo seja para nós uma simples teoria, embora eu tenha de confessar que, por muitos anos, ela não passou disto para mim. Eu mesmo pregava a cruz nestes termos sem conhecê-la em minha própria experiência - até que um dia vi, de maneira repentina e dramática, que eu, Nee To-sheng, havia morrido lá com meu Senhor. "Fora com Este!", gritaram e, ao dizerem isto a respeito de Cristo, eles também ecoavam, sem perceber, o veredito de Deus para mim. E essa sentença de Deus para mim foi cumprida em Cristo. Esta nova descoberta afetou-me de forma quase tão notável quanto minha primeira descoberta de salvação. Digo lhe que isto me deixou tão humilhado que, por um tempo, senti-me completamente incapaz de pregar, visto que, até aquele dia, tenho de admiti-lo, pregar era uma paixão que me consumia.
12 DE JUNHO
Não temos mais que cinco pães e dois peixes, salvo se nós mesmos formos comprar comida para todo este povo. (Lucas 9.13)
Quando Jesus disse: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (v. 13), não foi porque esperava que Seus discípulos tivessem um plano, mas por que queria que eles esperassem por um milagre. Como nós, no entanto, eles optaram pelo caminho mais fácil - o caminho que não exige o exercício da fé ou da oração. Sua solução foi "ir e comprar comida". Esta foi uma proposta vergonhosa para um discípulo de Cristo; além disso, poderia ter sido feita por fariseus e saduceus, uma vez que não indicava fé ou confiança alguma Nele. Como deixa claro o Evangelho de João, eles pensaram em seu bolso: não tinham dinheiro suficiente. Vemos apenas aquilo que nós podemos fazer. Fechamos os olhos para Deus e para Seus inesgotáveis recursos. Entretanto, Deus não se limita a nós. Deixemos de lado aquilo que podemos ou não fazer; Ele está esperando para mostrar-nos Seus milagres.
11 DE JUNHO
E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-Me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.
(Atos 13.2)
Aquele que não aprendeu primeiro a servir ao Senhor não pode, de fato, trabalhar para Ele. Foi quando Barnabé e Saulo serviam ao Senhor e jejuavam que a voz do Espírito foi ouvida, chamando-os para uma obra especial. E foi ao chamado de Deus, não ao apelo de uma necessidade humana, que eles responderam. Nada ouviram sobre canibais ou tribos selvagens que arrancavam a cabeça de seus inimigos como troféus; sua compaixão não foi motivada por histórias tristes de casamentos entre crianças, idolatria ou uso de drogas. Não ouviram outra voz senão a voz do Espírito; não viram outras reivindicações senão as de Cristo. Foi o senhorio de Cristo que clamou pelo serviço deles, e foi somente por Sua autoridade que seguiram para realizá-la.
10 DE JUNHO
[Deus] nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
(Efésios 2.6)
O que de fato significa "assentar"? Quando andamos ou estamos em pé, nossas pernas suportam todo o peso do corpo, ao passo que, quando sentados, todo o nosso peso descansa sobre a cadeira ou banco em que estamos. Ficamos cansados quando caminhamos ou estamos em pé; entretanto, sentimo-nos descansados quando nos sentamos por alguns instantes. Quando caminhamos ou estamos em pé, gastamos uma quantidade considerável de energia, mas, quando estamos sentamos, relaxamos no mesmo instante, porque o peso não recai mais sobre nossos músculos e nervos, mas sobre algo externo a nós. O mesmo acontece com as coisas espirituais: assentar-nos é simplesmente descansar todo nosso peso - nosso fardo, nós mesmos, nosso futuro, todas as coisas sobre o Senhor. Deixemo-Lo levar sobre Si a responsabilidade, e deixemos de carregá-la nós mesmos.
9 DE JUNHO
Os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas.
(Apocalipse 1.14)
No livro de Apocalipse Deus nos mos tra um aspecto de Seu Filho não re velado a nós nos Evangelhos. Nos Evan gelhos, vemos Jesus como Salvador, e em Apocalipse, como Rei. O primeiro mostra Seu amor, o último, Sua majestade. No cenáculo, Jesus cinge os lombos para servir; em Patmos, Ele se cinge na altura do peito para a guer ra. Nos Evangelhos, Seus olhos de ternura como vem Pedro; em Apocalipse, eles são como chama de fogo. No primeiro, Sua voz é suave ao chamar Seu rebanho pelo nome, e palavras de graça saem de Sua boca; aqui, Sua voz é terrível como o som de muitas águas e, de Sua boca, uma espada afiada de dois gumes aflige até a morte Seus inimigos. Não basta conhecermos Jesus como Cordeiro de Deus e Salvador do mundo; devemos conhecê-Lo também como Rei de Deus, Juiz de Deus. Quando O vemos como Salvador, exclamamos: "Quão amável!", e nos reclinamos sobre Seu peito. Quando O vemos como Soberano, clamamos: "Quão terrível!", e caímos prostrados aos Seus pés.
8 DE JUNHO
Um abismo chama outro abismo.
(Salmo 42.7)
Somente um abismo pode responder a outro abismo. Nada que seja simplesmente superficial pode responder às profundezas, e somente aquilo que chega ao fundo do nosso íntimo pode suprir as profundas necessidades de outros. Se desejamos ajudar aqueles que estão passando por tempestades, devemos nós mesmos ter passado por elas. Temos uma história de relações secretas com Deus, ou aquilo que os homens vêem representa tudo que temos? Muitos de nós são superficiais. Parece que só crescemos exteriormente, e nada temos reservado. Se optamos por viver as coisas de forma superficial, talvez possamos ajudar algumas pessoas em necessidade; contudo, a felicidade que lhes oferecemos passará. Não teremos sido capazes de realmente alcançá-las no ponto em que estão. Paulo guardou um segredo por quatorze longos anos, e que ajuda, por fim, proporcionou a revelação deste segredo! Quando vemos Deus falando às profundezas de nosso ser, é neste momento, então, que possuímos tesouros ocultos para compartilhar com outros em seus momentos de provação.
7 DE JUNHO
Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará.
(1 Reis 17.14)
Somos representantes de Deus neste mundo e estamos aqui para provar e mostrar Sua fidelidade. Todas as nossas atitudes, palavras e ações devem declarar que somente Ele é nossa Fonte de provisão. É imperativo, portanto, sobretudo no que diz respeito a questões de ordem financeira, que sejamos, de fato, independentes dos homens e contemos exclusivamente com Deus. Se houver qualquer fraqueza neste sentido, Ele será roubado da glória que Lhe é devida. Como servos de Deus, devemos anunciar a abundancia de Seus recursos. Não devemos ter receio de parecer abastados diante das pessoas. Não quero dizer com isso que devamos ser falsos, mas devemos ter uma atitude coerente e honesta. Mante nhamos em segredo nossas necessidades financeiras, ainda que nossa discrição leve as pessoas a concluir que estamos em uma boa situação quando, na realidade, não temos nada. Aquele que vê em secreto cuidará de nossas necessidades e irá supri-las sem restrição, mas "segundo a Sua riqueza em glória, em Jesus Cristo" (Fp 4.19). Que tenhamos a ousadia de apresentar coisas difíceis para Deus, porque Ele não precisa de nosso auxílio para realizar Seus milagres.
6 DE JUNHO
No trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade.
(1 Pedro 5.5)
Corpo edifica-se a si mesmo em amor (Ef.4.16). Isso não quer dizer que há obreiros apostólicos especiais que podem permanecer separados do Corpo, como se este fosse uma "coisa", e pudessem edificá-lo de fora dele. Há um perigo, ao qual todos estamos expostos, de pensar na Igreja de Cristo como algo exterior a nós mesmos, à qual estamos servindo. Isto não é possível. Se temos de contribuir para a vida do Corpo, devemos ocupar, com humildade, nossa posição de sub missão dentro dele, recebendo de - bem como contribuindo com seu mútuo ministério de vida. É mais fácil humilhar-nos diante de Deus do que diante de nossos irmãos? Lembre-se de que, sem um contínuo exercício de humildade, é completamente impossível servir uns aos outros. Por melhor ou pior das hipóteses, somos membros deste Corpo, o qual não podemos abandonar. Quando ofen demos aos homens, ofendemos a Deus. É somente aceitando a ajuda de nossos irmãos que poderemos ajudar os outros. Sirvamos, e seremos servidos. Somos cooperadores de Deus, templo de Deus.
5 DE JUNHO
E quantos O tocavam saiam curados. (Marcos 6:56 )
Lembre-se do incidente do fariseu e do publicano em oração no templo (Lc 18). O fariseu sabia tudo sobre dízimos e ofertas; entretanto, suas súplicas a Deus não procediam do coração. Foi o publicano quem clamou: "Ó Deus, sê propício a mim!" (v.13). Deste homem saiu algo para Deus que encontrou resposta imediata, e Jesus escolheu-o como aquele a quem Deus considerou justificado. O que é ser justificado? É tocar em Deus. A maior fraqueza de grande parte daquilo que se prega sobre o Evangelho hoje é que tentamos fazer com que as pessoas entendam o plano de salvação e, muitas vezes, vemos pouco - ou nenhum - fruto. Em que temos fracassado? Estou certo de que nosso fracasso está no fato de que nossos ouvintes não vêem Deus. Não temos apresentado a Pessoa de Deus de maneira adequada. Mostramo-lhes apenas seus pecados ou a salvação de Deus, enquanto sua verdadeira necessidade é ver o próprio Salvador, encontrar-Lo e estabelecer um contato com Ele.
E quantos a tocavam saíam curados.
4 DE JUNHO
Quando sou fraco, então, é que sou forte.
(2 Coríntios 12.10)
Este paradoxo está na essência da verdadeira experiência cristã. Dei-me conta disto durante uma provação pessoal na qual, como Paulo com seu espinho na carne, recebi como resposta um "não" à minha oração em busca de socorro. Ocorreu-me, então, a imagem de um barco que não podia atravessar um canal profundo por causa de um seixo na correnteza, que se sobressaia a quase um metro e meio do leito do rio. Em minha provação, eu vinha pedindo ao Senhor que removesse a pedra. Neste mo mento, surgiu uma pergunta dentro de mim: Seria melhor que a pedra de um metro e meio fosse re movida do caminho ou que Ele elevasse um metro e meio o nível das águas? A resposta ao clamor de Paulo foi: "A Minha graça te basta" (v. 9). Sem dúvida, seria melhor que o nível das águas subisse! Meu problema se foi, pois viver a fé cristã não é remover pedras, mas navegar por águas profundas!
3. DE. JUNHO
E todo [ramo] que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.
(João 15.2)
A instrução em todos os sentidos volta-se para o desenvolvimento da alma do homem natural, para fazê-lo independente, soberbo, perspicaz, seguro de si. Esta geração valoriza homens que conseguem arrancar o que há de melhor nos outros. Capacitá-los, portanto, para o uso de Satanás, é fazer sua obra para ele.
O empenho de Deus está em realizar em nós a mesma poda que faz o vinheiro. Esse crescimento inoportuno de nossa alma tem de ser controlado e tratado. Deus precisa impedi-lo. Por um lado, Ele procura levar-nos a um ponto em que vivamos pela vida de Seu Filho, que foi plantada em nós pela regeneração. Por outro, Ele realiza uma obra diretamente em nosso coração para enfraquecer as entranhas de nossos recursos naturais, que conduzem, em primeiro lugar, ao pecado de Adão. Todos os dias aprendamos estas duas lições: o prevalecer da vida de Cristo e o contro le e entrega à morte da vida natural, de modo que, aos olhos do mundo, sejamos como homens fracos e ignorantes que muitas vezes têm de admitir: "Não sei, mas Ele o sabe, e isto basta". Que Deus nos liberte da arrogância da alma que predomina em nossos dias!
2 DE JUNHO
Os que se assentam de novo à sua sombra voltarão; serão vivificados como o cereal e florescerão como a vide.
(Oséias 14.7)
Quem já parou para pensar nas flores da vide! Elas são, na realidade, as flores que têm o menor tempo de vida, e que dificilmente são notadas antes de secarem e já se transformarem em frutos. Na natureza, podemos conhecer três tipos de plantas: aquelas que florescem, mas não carregam frutos; aquelas, como os pessegueiros, que chamam a atenção tanto por suas flores quanto por seus frutos, e aque las, como a vide, cujas flores são de pouco valor e que os homens apreciam apenas por seus frutos. É claro que Deus dá um grande valor à última delas nesta passagem.
Como somos tentados a ostentar aquilo que impressiona os homens, uma flor a ser admirada! Contudo, o Pai colocou-nos como ramos na Videira. Nela, o que Ele procura, em primeiro lugar, são os frutos.
1º DE JUNHO
Estender-se-ão os seus ramos, o seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano.
(Oséias 14.6)
Oséias certamente tinha uma noção do perfume das coníferas. Do Líbano, ele nos des creve um quadro de como a vida cristā deveria exercer influência sobre outras pessoas. O aroma de Cristo que ela exala deve penetrar todos os lugares, como a fragrância dos pinheiros. O olfato é um dos sentidos mais sensíveis do homem. Por meio dele, o homem recebe impressões daquilo que está além do alcance de seu tato, e até de sua visão. Não se faz necessário dizer coisa algu ma, pois onde há perfume, seu efeito se espalha por toda parte, impregnando todas as coisas. Você não consegue escondê-lo. Portanto, aquele, cujas raízes estão profundamente em Cristo, exala, como o cedro, um doce aroma Daquele que é sua fonte invisível de vida. Trazemos conosco a beleza simples do Espírito Santo, como prefigurada pela oliveira, e seu efeito é fazer com que as pessoas percebam apenas a fragrante influência de Cristo. Ele não pode deixar de ser sentido.

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